Jeff Koons em Versailles

Ah, gente quase ia esquecendo da primeira exposição que eu vi. Logo na primeira semana, quando cheguei em Paris, fomos até o Chateau de Versailles e naquela semana havia começado a exposição de Jeff Koons dentro do castelo de Versailles. As obras de Jeff Koons, americano, 53 anos,  o enfant terrible da arte contemporânea, são consideradas neo pop e essa exposição chamou a atenção pelo contraste que foi provocado colocando um cachorro balão gigante rosa metálico dentro de uma construção barroca.

O resultado é interessante e chocante. Confere algumas fotos abaixo:

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As fotos de Richard Avedon

Para finalizar a primeira parte da saga das exposicões de moda na Europa, a mostra da obra do fotógrafo Richard Avedon está bombando na Jeu de Paume bem em frente a Place de la Concorde em Paris. Confesso que quando cheguei lá fiquei emocionada com a cena: em frente a Place de la Concorde, quase dentro do Jardin des Tuileries, no início da Rue Rivoli e no Jeu de Paume (para quem assistia ao Sex and the City foi o museu que o Petrovsky armou a exposição dele quando eles foram para Paris!). A fila era imensa já que essa exposição também está nos seus últimos dias (vai até dia 27 de setembro) e atrai não só o povo da moda mas artes gráficas, fotografia, design etc.

A maior parte da exposição estava organizada em Portraits de pessoas famosas e outras anônimas, e outra parte mostrava seus trabalhos mais representativos na área de moda com fotos para a Harper’s Bazaar na década de 50 e trajes de Dior, Lanvin, etc. Fotos muito conhecidas da gente são dele e a parte dos Portraits impressiona como ele capta a identidade e a individualidade de cada um com uma expressão muito real.

Dá uma olhada em algumas das fotos que estão na exposição:

45 anos de Valentino – exposição em homenagem ao mestre

Na continuação das exposições de moda, a Thème et Variations finalizou neste final de semana no Museu de Artes Decorativas de Paris onde fica também o Musée de la Mode et du Textile. A exposição fazia uma retrospectiva dos 45 anos de carreira do estilista italiano e foi dividida em temas como cores, volumes, texturas reunindo trajes criados sob estes assuntos ao longo de todo o seu tempo de trabalho. Não tem como sair da exposição encantada pela dedlicadeza do trabalho, acabamento perfeito e plasticidade.

Dá uma olhada nas fotos. Ela inspira a ir em busca de lembrar um pouco mais de tudo o que o estilista criou.

Moda no museu

Desde a primeira quinzena de setembro, estou na Europa e aproveitei para ir às exposições de moda que estão rolando por aqui. A primeira delas foi a House of Viktor & Rolf que terminou dia 21 de setembro no Barbican Gallery em Londres. As outras vou mostrandos nos próximos posts.

A exposição é fantástica. Eles fizeram uma retrospectiva dos 15 anos de carreira e criaram uma casa de três andares bem no centro da exposição com as miniaturas de cada um dos trajes que depois são apresentados em tamanho natural na exposição acompanhados dos vídeos do desfile.

Uma coisa muito bacana é que os manequins que vestem os trajes foram criados especialmente para a exposição e têm o rosto da modelo que vestiu o traje na ocasião do desfile. E, o que emociona ao ver a exposição é conseguir ver o conjunto da obra da dupla que é fascinante e tem por trás uma super intenção de pensar a moda, de pensar o sistema. A exposição acabou em Londres mas parece que ela vai circular pelo mundo. Quem tiver oportunidade, vale a pena!

Confere algumas fotos:

Essa foi uma coleção em que eles mesmo entravam na passarela e vestiam a modelo. A modelo foi recebendo trajes um por cima do outro.

A dupla na casa que mostra as miniaturas das coleções na exposição.

A casa que traz as miniaturas dos 15 anos de carreira dos estilistas Viktor e Rolf.

Uma das coleções mais marcantes da dupla onde a modelo desfila com um travesseiro por trás dos cabelos, como se estivesse deitada, na maior preguiça.

As novas estrelas das passarelas

As novas silhuetas que desfilam pelas passarelas e pelas ruas mostram um grande exercício de criatividade e tecnologia na modelagem

Você tem reparado nas últimas modas que andam por aí? Então, além das constantes releituras de outras décadas, de outras épocas, podemos perceber um grande avanço da modelagem, no que diz respeito à inovação da forma, concorda? Se antes, tínhamos constantemente a silhueta próxima ao corpo, ou em alguns casos, algumas referências baseadas em peças mais soltas com franzidos, hoje, as formas parecem estar se afastando cada vez mais do corpo. São grandes golas, saias e vestidos tulipa, formas trapézio e por aí vai. Bem, se pararmos para pensar há diversas questões que podemos analisar a partir desse olhar para os desfiles de moda, o que os estilistas têm proposto e como isso tem chegado às ruas.

Em primeiro lugar, recorremos ao velho e bom dicionário para trazer a definição de modelagem. Segundo o Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa: Modelagem (modelar + agem) sf 1 Operação de modelar, modelação 2 Operação pela qual o escultor executa, em gesso, argila ou qualquer substância maleável, o modelo que depois será reproduzido em madeira, mármore, ou fundido.
A partir daí, não é preciso ser um expert para compreender que alguém que trabalha com modelagem, o modelista, deve conhecer as formas do corpo, uma boa base de ergonomia para saber como desenvolver peças que sejam confortáveis, conhecer muito bem a matéria prima do produto de moda e também saber se comunicar e perceber as vontades do designer/estilista para que as criações do estilista se tornem viáveis e possíveis no corpo de alguém. Até aí, tudo parece estar bem, mas durante muitos anos se viu e não é possível negar que ainda se vê que todas as glórias de uma boa coleção vão para o estilista. Nas escolas de moda, grande parte dos alunos querem ser estilistas, esquecendo que por trás desse “artista” (sim, porque muitos ainda tem, infelizmente, a visão de que moda é glamour), há uma grande equipe que ajuda a fazer acontecer. E sem estes, incluindo aí o modelista, não seria possível transformar desenhos e idéias em peças concretas.
Mas o bom de todo esse processo, que está em constante evolução, é que esses dois profissionais estão trabalhando cada vez mais próximos, sempre em busca da melhor solução para o produto e em busca de inovação. É bacana olhar para as passarelas pois, como foi comentado acima, tudo o que vemos são releituras de outras épocas, e perceber que essas releituras também conseguem ser, de certa forma, inovadoras. Não dizem que tudo já foi criado e o que nos resta é transformar? Pois que as transformações sejam feitas, mas que sejam muito criativas e que possam colocar inveja aos criadores que serviram de inspiração.
Além disso, os estilistas e também os modelistas estão de olho no consumidor de hoje. Mesmo que inspirados em referências, sejam elas da década de 50, 70, 30 ou 40, há uma prioridade para o conforto e também para a facilidade de uso, abusando também das tecnologias desenvolvidas para os tecidos. Se o consumidor dos dias de hoje trabalha muito, tem pouco tempo para o lazer e muito menos ainda para cuidar da casa ou dos afazeres domésticos, incluindo passar roupa, é preciso pensar em peças que agreguem características que facilitem essas tarefas. E ainda há um outro lado: os pontos do corpo que ganham destaque são outros deslocando os interesses e a sensualidade. Até a sensualidade se rebusca mais, evolui e busca um equilíbrio. Para que peças curtas e justas? Por que não peças curtas mas não justas? Uma transparência pode estar em lugares diferentes, um decote pode deixar os seios mais em evidência mas combinar com uma saia longa, super fluida, cheia de movimento. Asas à imaginação, dos homens, das mulheres e dos estilistas!
Por tudo isso, as tendências apontam para um caminho mais minimalista, às vezes futurista, sem tantos frufrus como vivenciamos nos últimos cinco anos. Isso dá mais ênfase para as soluções tecnológicas, no que diz respeito aos processos e aos materiais, mas também às soluções visuais como os volumes, as texturas, as silhuetas e os comprimentos. Se, por um lado, temos uma moda mais “austera”, por outro vemos uma grande evolução desse exercício de criatividade aliado à busca da indústria da moda por resultados expressivos e que seduzam o consumidor.

Reportagem publicada na Revista Catarina número 18

Poiret – O primeiro estilista

Ele foi revolucionário na sua época levando seu estilo de vida e suas criações para toda uma sociedade. Apesar de ter morrido falido e esquecido, Poiret será para sempre lembrado como o primeiro grande estilista.

A moda vai e vem e, por se tratar de um reflexo da época que vivemos, da sociedade onde nos inserimos e, por conseqüência refletir as questões culturais, sociais e econômicas é que percebemos mudanças freqüentes e que vão inclusive revisitar momentos que já foram assimilados e que podem nos fornecer algum tipo de referência para vivenciar a época atual. Assim é agora e assim foi no passado. Aqueles que têm sensibilidade para perceber essas referências de forma antecipada são grandes artistas. De qualquer forma, essas visitas a outros momentos é sempre cercada por atualizações. Não se vivencia como no passado.
Nas últimas temporadas temos percebido uma mudança considerável no que diz respeito às formas das roupas apresentadas nas passarelas. Se antes, as formas ajustadas ficaram por muito tempo, agora são formas que vão “contra”  a silhueta do corpo humano que ganham espaço. E, pelo que parece, elas estão sendo bem assimiladas. Se pararmos para pensar são formas inspiradas na antiga Grécia (os vestidos drapeados) e também algumas formas que nos remetem ao início do século, por volta dos anos 10, quando Poiret criou uma nova silhueta ao “libertar” as mulheres dos espartilhos. Essas, pelo que parece, proporcionam maior conforto e dão mais liberdade de movimento além de criarem uma nova imagem de moda. E será que foi nisso também que Poiret pensou ao propor uma imagem revolucionária de moda para aquela época?
Se foi intencional ou não, é difícil dizer pois há pesquisadores que apontam para os dois lados. Mas o fato é que Poiret conseguiu inovar, e muito, na moda daquela época. Segundo ele mesmo dizia: “A moda precisa de um tirano”, conduzindo logicamente ao pensamento de que ele era a pessoa mais indicada para se enquadrar no papel de déspota libertador.
Paul Poiret nasceu no dia 8 de abril de 1879 em Paris e foi, entre os períodos de Belle Époque  e os loucos anos 20, um dos mais importantes e visionários estilistas franceses.Seus pais eram comerciantes de tecidos no bairro de Hallen que, naquela época, graças aos famosos mercados, era considerado o coração de Paris e permanece, até hoje, como o centro da economia têxtil francesa. No entanto, sua vida profissional começou quando seu pai o enviou para trabalhar numa fábrica de sombrinhas para conhecer a vida real pois considerava o filho extremamente sonhador.
Seus momentos criativos na área de moda tiveram seu início ainda ali, quando, com os restos de seda das sombrinhas que ganhava de seu mestre, confeccionava vestidos extravagantes num manequim de madeira de 40cm que havia ganhado de suas irmãs (grandes admiradoras de seus projetos, assim como sua mãe de quem sempre recebeu muito apoio). Em 1889, foi trabalhar com Jacques Doucet e tornou-se chefe da alfaiataria da maison e, depois de passar pelo serviço militar trabalhou ainda na maison Worth em 1901.
Em 1903, com a ajuda da mãe que não hesita em contribuir com 50 mil francos para que o filho possa abrir seu próprio ateliê, Poiret inaugura sua casa tendo como primeira cliente uma famosa atriz de cinema da época, Réjane, que abandona Doucet, o antigo patrão de Poiret. Suas peças logo se tornam um sucesso e ele passa a estrela, sendo reconhecido nas ruas e em restaturantes, alem de rodear-se de ilustres pintores e artistas da época como Paul Iribe, Erté, Mariano Fortuny, Raoul Dufy entre outros.
Sua fama é a de ter libertado as mulheres dos espartilhos. Poiret considerava simplesmente ridículas as mulheres de busto curvo e traseiro saliente e, para acabar com isso, inspirado no modernismo que reinava na Europa e no Diretório do século XVIII, ele criou, em 1906, um vestido de linhas simples e estreitas com saia cortada abaixo do peito, batizada por ele de Le Vague, pois se movia como uma onda suave em torno do corpo. Com esse traje, ele anima as mulheres a desvencilhar-se do espartilho e, em menos de dois anos, estavam adotados os preceitos reguladores de uma silhueta graciosa e maleável. Além disso, lança as cintas-ligas, as meias cor-de-pele e cria os primeiros sutiãs modernos. Sua principal modelo era a sua própria mulher, Denise, que sempre vestia as suas criações e passou a servir de referência para as mulheres da sociedade parisiense.
Em 1909, com a primeira temporada dos Ballets Russes, a elite descobre os encantos do orientalismo que passa a influenciar a moda parisiense inicialmente por Paul Poiret que cria pantalonas bufantes, quimonos, turbantes e estampas em cores vivas transformando suas clientes em almeias de harém. Poiret se considera um sultão vestindo as mulheres do seu harém com trajes faustosos de motivos orientais e organiza festas lendárias. Uma delas, inspirada nos excessos do Oriente chama-se “Noite 1002”.
Mas Poiret não pára por aí. Dez anos antes de Chanel, Paul Poiret lançou seu primeiro perfume, chamado de Rosine (o nome de sua filha mais velha), com fragrância, frasco, embalagem, publicidade e distribuição totalmente concebido por um costureiro. Também passou a criar tecidos apoiado nas oficinas de fabricação. Junto com Raoul Dufy, criava tecidos e estampas que seriam usados em roupas e decorações e, por conta disso, em 1911, inaugurou em Paris uma oficina voltada para o ensino das artes decorativas. Batizadas com o nome de Martine (dessa vez, o nome de sua segunda filha), moças de condição modesta aprendem a criar e executar tapetes, luminárias, estofados e vários outros acessórios destinados à decoração da casa.
Tudo isso faz com que Poiret possa ser considerado o primeiro designer do século, estampando com a sua marca todos os seus projetos e conseguindo vender tudo, desde acessórios, perfumes, roupas a peças de decoração de interiores. Sua maison, que comercializava todos os seus produtos, tinha uma decoração extravagante, considerada vanguardista, assim como a maioria de suas criações, de suas festas e de sua vida da qual pôde conduzir até ser convocado para a Primeira Guerra Mundial, anunciando o fim de sua fantástica carreira.
Na volta da guerra, as mulheres já não se reconheciam tanto nos trajes de Poiret que, aos poucos, vai se sentindo abandonado. Acreditando poder recuperar sua clientela com algumas de suas festas, ele organiza algumas delas com extravagantes convites e importantes presenças. Porém, as dívidas acabam só aumentando. Vende sua grande coleção de quadros adquiridos diretamente de Matisse, Picasso e Van Dongen, escreve algumas obras e, depois de fechada sua maison, passa a pintar quadros que ganham uma retrospectiva organizada pelo amigo Jean Cocteau em 1944. No entanto, Poiret se vê impedido de assistir a seu último sucesso, morrendo alguns dias antes da abertura da exposição, à beira da miséria e abandonado pela mulher Denise.

Reportagem publicada na Revista Catarina número 18.

Tendências para o verão

A primavera está aí e as tendências para a próxima estação já aparecem em todas as vitrines, mesmo que o calor ainda não esteja firme. Uma das grandes apostas para o verão são as referências florais, étnicas e misturando tudo isso os anos 70 e a estética hippie. Pensando nisso, foi feito um editorial para o Município Mais, que circulou em 18 de setembro, e que foi em cima dessa proposta. A modelo é a brusquense Priscila Rezini (que não é modelo mas que posou ficou super bem nas fotos!), as fotos são do Thiago Bellini e a maquiagem do Alan Pires. Tudo clicado na rua nos arredores de Brusque e produção minha.