ESCRAVOS DA VISÃO e a estética rock de volta

No finalzinho do ano, em meio àquela correria de sempre, pós-enchente em Santa Catarina, Patricia me chamou para mais um texto para a Catarina, quem sabe usando o tema da edição que era o Rock. Escrevi o texto junto com o Petrelli, Marco Aurélio Petrelli que é designer e também professor da Univali. A Catarina n. 20 está chegando às bancas essa semana. Dá uma olhada na capa. O texto segue logo abaixo!

catarina20

bjs

Você já imaginou um mundo sem música? Difícil, hein? A música é algo que está presente de forma bastante intensa na vida de cada um de nós, seja consciente ou inconscientemente, pois ouvimos sons e músicas em alguma parte do dia. Ela é uma manifestação que, assim como a moda, reflete os valores e os anseios de uma sociedade. Certo? Os dois movimentos, pelo menos no que diz respeito ao século XX, sempre estiveram muito ligados e não é difícil observar que os dois assuntos têm a ver com comportamento. O modo de se vestir de uma pessoa ou de um grupo mostra um pouco da sua personalidade e, sem dúvida, esse modo de vestir vai revelar o seu comportamento, seus valores e suas atitudes. O mesmo se pode dizer em relação à música. Seus gostos musicais, suas preferências dizem um pouco da pessoa. Juntos, moda e música vão ajudar a construir as impressões que temos, as imagens das pessoas como uma forma de linguagem.
Além disso, temos uma outra forma de expressão (já que vivemos numa sociedade baseada na aparência, não será difícil compreender tudo isso) que também mostra esses movimentos, tem como uma de suas funções comunicar mas que se mistura muito bem com esses outros dois elementos, que é o design gráfico.
Basta olhar para o lado e perceber que estamos falando de algo tão presente em nossas vidas, quanto o simples ato de escolher um CD… vestir uma camiseta… calçar um tênis… comprar um livro. Por vezes, não nos damos conta que, o que realmente estamos fazendo, são opções estéticas representativas de nosso estado de espírito.
Não obstante ao universo da música e da moda, a busca pela afirmação da personalidade, dos valores, das crenças, enfim, do comportamento do indivíduo, também é foco do design gráfico, promovendo através de elementos estético-formais, a representatividade gráfica de valores tangíveis e intangíveis. Percebe-se então um universo interdependente, complementar, composto por elementos constitutivos de um único propósito: IDENTIFICAÇÃO.
Não se sinta incomodado então, com a estampa de uma camiseta, com as cores de uma embalagem, com o encarte de um CD… acredite ou não…eles foram concebidos com o propósito de chamar a sua atenção, afinal de contas, dizem alguns especialistas, somos bombardeados com aproximadamente 3000 mensagens de marketing por dia. Como diferenciar-se neste campo de batalha então? A linguagem gráfica não deve ser utilizada como mero “embelezador” e sim, deve ter alma, conteúdo. Deve atingir ao seu público de forma a criar uma relação emocional; deve contar então, uma história. Acreditamos ser interessante usarmos nossa imaginação e nos transportarmos para um outro mundo; um mundo regido por padrões que estabeleçam uma única forma de comunicação visual. Uma única estética, cor, formas, padrões, estilo. Imaginemos como seria realizada a escolha por produtos nas gôndolas de um mercado? E como seriam então as vitrines das lojas? Impossível, diriam os mais céticos, mas acredito que ao vislumbrarmos esta realidade alternativa possamos valorizar as nossas diferenças.
Nessa questão, sempre lembramos aquele ditado. “Gosto não se discute, se lamenta”. Ok, mas o que isso tem a ver com moda, música e design gráfico? Não se discute aqui se tal coisa é boa ou ruim, mas que somos indivíduos que buscamos o tempo todo nos expressar, buscamos expressar nossos gostos, nossas vontades através do que consumimos, de como nos vestimos, etc. E esse indivíduo vive o tempo todo sendo puxado de um lado para outro. Se, num extremo, existe a máxima da diferenciação, do ser único, por outro existe a necessidade de identificação com outros da sociedade ao mesmo tempo em que somos abertos à mudança. Então, aqui temos alguns elementos para refletir algo que, no momento que se propôs pensar em música para escrever este texto, apareceu o link com o design gráfico e as estéticas influenciadas pelo rock que estamos vendo nos últimos meses por aí.


Sem dúvida que há muito, a cultura underground e a cultura de rua, de uma forma geral, influenciam a moda (e muitas formas de expressão visuais) e marcam momentos na música. Desde seu surgimento, o rock é um dos bambambãs nessa história e vemos as suas diversas divisões marcando momentos da nossa história que são revisitados a todo instante, através de releituras, homenagens etc. Onde queremos chegar é exatamente nas estéticas das peças de design gráfico relacionadas com a moda, de alguma forma, inspiradas em referências do rock e dos anos 80/90.
Você já percebeu como esses elementos têm aparecido de uma forma bastante intensa nos últimos tempos? Começou com o grafite e todos esses elementos mais “sujos”, mais “pesados”, e o que se vê hoje está evoluindo nesse caminho. Em alguns momentos algumas peças parecem capas de discos da Cindy Lauper, da Madonna (aliás, como não poderia deixar de ser, hein?) com o uso de cores fortes (será new wave?), fontes escritas à mão parecendo vindas de muros pichados e até modelos (na verdade a própria moda está caminhando junto nisso tudo porque muito do que se vê por aí em termos de vestuário também fazem referencia a essa época) com cabelos loiros esbranquiçados, espetados e curtos como a modelo Agyness Deyn (Aggy) que virou ícone da última temporada. Vide a campanha do novo perfume de Jean Paul Gaultier, este também uma referência da moda dessa época.



madame1


A Colette, famosa loja parisiense que conspira a favor da moda, das artes e da música, reuniu diversos produtos entre roupas, acessórios, livros, revistas e CDs trazendo esses elementos “sujos”, “pesados” e que a gente adora! E ainda, a Printemps se uniu a Vogue francesa, sob o comando de Carine Roitfeld, para reafirmar a parceria entre o rock e a moda – a Rock Couture. Do final de agosto até início de outubro, a loja de departamentos parisiense colocou em suas vitrines e na sua coleção os elementos do rock.


vogue

Será que esses já não são elementos suficientes para consolidar essa relação, dizer que tudo caminha junto e que as nossas vontades e nossas expressões, por mais individuais que possam parecer, sempre estão associadas ao tal do inconsciente coletivo. Ontem queríamos uma coisa, hoje queremos ROCK!

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Uma resposta em “ESCRAVOS DA VISÃO e a estética rock de volta

  1. Oi Graziela, tudo bem?
    Adorei seu texto, sou designer gráfico e professora do curso de design da Univille. Nesse momento oriento um TCC sobre Moda na Música, que terá como produto final um site de relacionamento entre tribos urbanas. Realmente um inspira muito o outro!
    Procurei seu nome depois que li sobre sua participação na pesquisa Delphi 2007 sobre o cenário preditivo da moda em SC. Gostaria de trocar um e-mail com você, se possível.
    Qual seu contato? O meu é juliana.floriano@univille.br.
    Obrigada e parabéns pelo blog!
    Vou acompanhar… abraço! 😉

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